Como surgiu Pokémon?

Salve salve pessoal…

Hoje vou contar para vocês a história de como surgiu uma das franquias mais conhecidas do mundo dos games, Pokémon.

A história começa na infância de Satoshi Tajiri, que tinha um hobby comum entre crianças japonesas, o de colecionar insetos. Além disso, as crianças japonesas também colocavam os insetos para brigarem, fazendo uma espécie de “rinha” entre os bichinhos.

“Rinha” de insetos, era popular entre crianças no Japão

Quando Tajiri cresceu, ele se tornou um grande fã de vídeo games, que na época, o Japão vivia a febre dos Arcades e do Famicom (Nintendinho), ele conheceu Ken Sugimori, e se tornaram grandes amigos, sendo que ambos gostavam de jogos, assim começava os esboços da empresa Game Freak.

A Game Freak, no inicio era apenas uma empresa que fazia textos e artigos próprios para revistas como a Family Computer Magazine e a Famicon Tsushin, sendo que Tajiri escrevia os artigos e Sugimori fazia as ilustrações.

Logo da Game Freak

Com o avanço do tempo, Tajiri e Sugimori decidem desenvolver jogos, mas como eles não tinham o kit de desenvolvimento do NES ficaria difícil criar um game, então eles desmontam um NES, e começam a fuçar e descobrir como que ele funcionava para poderem criar seus games, e assim começa o desenvolvimento do primeiro projeto deles, o jogo Quinty que foi publicado pela Hudson no Japão, e que foi publicado pela Bandai Namco (na época era Namcot) nos Estados Unidos com o nome de Mendel Palace.

Inclusive foi a Namco que falou para eles, que eles não iriam publicar jogos de pessoas, mas sim de empresa, e assim formalmente nasceu a Game Freak.

Jogo Quinty

Com o tempo a Game Freak começa a desenvolver outros projetos, e conseguem fazer uma parceria com a Nintendo, lançando jogos como Yoshi e Mario & Wario (ambos para Nintendinho), isso fez com que Tajiri se aproximasse do Shigeru Miyamoto (inclusive foi ele que sugeriu que o jogo Pokémon fosse separado em duas versões com pequenas diferenças entre si – Red e Green), e apresentasse uma ideia que ele vinha pensando há algum tempo.

Tajiri via que em muitos lugares do Japão, as crianças já não brincavam como ele e os amigos, e ele queria trazer a experiência de colecionar insetos e batalhar com eles, mas para isso, teria que ser em algo que desse para ser levado para qualquer lugar, assim nascia as premissas para o Pokémon.

Arte Conceitual de Pokémon

A Nintendo olhou a ideia, e disse, poderiam desenvolver, desde que eles tivessem dinheiro para isso. Então a Game Freak começa uma jornada para arrecadar dinheiro enquanto produz paralelamente Pokémon, e nesse processo muito estresse foi causado, sendo que a empresa quase foi fechada e vários funcionários saíram.

Nessa época para arrecadar dinheiro, saíram bons games como Magical Taruruto-kun (1992) e Pulseman (1994) para Mega Drive, mas o desenvolvimento de Pokémon ainda estava problemático (ele estava sem uma previsão de lançamento).

A Game Freak, sabia que o jogo tinha que ter as premissas básicas de quem colecionava insetos, então eles tinham que ter esses “animais” no jogo, e tinham que batalhar com eles, só que esse processo até ser refinado como conhecemos hoje, levou se um bom tempo de definição (como tipos de pokémon, golpes físicos, golpes especiais, eficácia de golpes, agilidade dos monstros, utilização de itens, etc).

Tabela de efetividades dos tipos de Pokémon

No começo do game, eles começaram a se basear nos heróis de Tokusatsu Ultraman e Ultra Seven, pois os heróis guardavam monstros em cápsulas para ajudar em seus combates, e o jogo estava sendo chamado de “Capsule Monsters”, porém essa era uma marca registrada, então eles tiveram que mudar, e o nome escolhido foi “Pocket Monsters”.

O jogo estava sendo cuidado por 3 pessoas, Tajiri que cuidou do desenvolvimento e do roteiro do game. Sugimori que cuidou da arte do game. E Junichi Masuda que criou as músicas e efeitos sonoros utilizados.

Sem o dinheiro para continuar com o jogo, a Game Freak começou a procurar alguém para investir, e encontrou um investimento vindo da empresa Creatures Inc (que na época se chamava Ape), desenvolvedora de jogos como Mother e EarthBound. Isso trouxe um alívio para a Game Freak, e assim os direitos de Pokémon quando lançassem ficariam para 3 empresas, a Game Freak (como Desenvolvedora), a Creatures (como Publicadora) e a Nintendo (como Distribuidora), então cada uma teria um terço da marca.

Primeiros games da série

No total o desenvolvimento do game durou 6 anos, sendo lançado em 1996 as versões Pokémon Red e Pokémon Green, em um processo que quase acabou com a Game Freak, e inclusive os criadores do game achavam que o game seria de nicho e não que faria um sucesso estrondoso, e quanto mais eles iam nas lojas de game, menos eles viam Pokémon nas prateleiras, que inclusive serviu para dar uma sobrevida ao Game Boy.

Acontece que a cada descoberta de segredos, o jogo vendia mais, e Shigeki Morimoto havia embutido o monstrinho Mew no jogo sendo que não era possível capturá-lo (há não ser um bug que foi descoberto anos depois), e assim com parcerias com algumas empresas em eventos, eles distribuíam esse monstrinho.

Pokémon escondido, Mew

Tudo isso foi alavancando cada vez mais o sucesso do game, e a Game Freak foi ganhando dinheiro para continuar com seus projetos. Pokémon fez tanto sucesso que ganhou bonecos, brinquedos, mangás, anime, etc… e ele foi se tornando uma febre por onde passava. Ele se tornou tão grande, que as 3 empresas donas, criaram a Pokémon Company, que pudesse cuidar dos direitos dos monstrinhos.

Logo a sequência era esperada, e com o sucesso do primeiro, eles começaram a expandir e criar o Gold e o Silver, mais ambicioso, com pokémons com cores diferentes (shiny), mudança entre dia e noite, e eles conseguiram expandir tanto a memória, que deu para incluir o mapa de Kanto no game, inclusive o anime começou a ser feito, quando o jogo Gold e Silver já estavam sendo desenvolvidos, por isso o Ash vê um Ho-Oh no começo da jornada, e a Misty tem um Togepi.

Anime fez bastante sucesso entre as crianças da época

Mas tinha um problema, a Game Freak assim como muitas empresas japonesas, não podia traduzir o game para o inglês, devido a escassez de mão de obra e o tempo de desenvolvimento, então Satoru Iwata (ex presidente da Nintendo), que na época estava na Hal (empresa que desenvolve o Kirby), pediu para ver o código fonte do primeiro game para traduzirem, e assim ele descobriu como funcionava toda a lógica, e traduziram o game para o ocidente, inclusive foi por causa disso, que o Nintendo 64 conseguiu ganhar o Pokémon Stadium, pois ele usava as mesmas regras dos cartuchos do Game Boy (inclusive com integração com o portátil pelo Transfer Pak).

Pokémon Stadium 2 para Nintendo 64, com um gráfico belo para época

Pokémon Gold e Silver foram um sucesso estrondoso, batendo recordes e mais recordes, ganhando inclusive rivais como Digimon e Monster Rancher, mas nada conseguia parar o sucesso da Game Freak, nem eles imaginavam onde alcançariam.

Infelizmente, assim como qualquer coisa de sucesso, começa-se a existir um pessimismo, e muitas pessoas começaram a alegar que o Pokémon era só uma febre e logo iria acabar, mas logo veio Ruby e Sapphire, e depois outros, e até mesmo o sucesso para celulares Pokémon Go.

Pokémon Go para celulares

Já foi anunciado que eles irão lançar um Pokémon de RPG para o Switch, o que é algo inédito um game 100% de Pokémon para um console que pode ser jogado na TV (saiu para GameCube, mas não era tão livre quanto os portáteis), assim sendo, Pokémon vai continuar a ter seu foco no portátil, mas poderá ser jogado na sua sala de estar tranquilamente.

Hoje a marca é consolidada e uma das maiores franquias do mundo dos games, abrangendo não apenas jogos, mas também revistas, filmes, animes, cards, brinquedos, pelúcias, etc.

Referências:
bulbapedia.bulbagarden.net
gameinformer.com
unseen64.net

Bom pessoal, por hoje é só.
Abraços e até a próxima.

About Daniel Atilio

Analista e desenvolvedor de sistemas. Técnico em Informática pelo CTI da Unesp. Graduado em Banco de Dados pela Fatec Bauru. Entusiasta de soluções Open Source e blogueiro nas horas vagas. Autor do projeto Terminal de Informação, onde são postados tutoriais e notícias envolvendo o mundo da tecnologia.

Daniel Atilio

Analista e desenvolvedor de sistemas. Técnico em Informática pelo CTI da Unesp. Graduado em Banco de Dados pela Fatec Bauru. Entusiasta de soluções Open Source e blogueiro nas horas vagas. Autor do projeto Terminal de Informação, onde são postados tutoriais e notícias envolvendo o mundo da tecnologia.