Análise – Hellblade: Senua’s Sacrifice

Salve salve pessoal…

Trago para vocês hoje a análise de um jogo diferente, um jogo que te traz um sentimento de desespero e angústia, o bem aclamado Hellblade: Senua’s Sacrifice.

Introdução

O estúdio Ninja Theory (Heavenly Sword e DmC: Devil May Cry), desenvolveu um jogo que mexe com a interpretação e compreensão humana, trazendo uma mistura de sentimentos e emoções durante a sua campanha. O jogo foi criado com a colaboração de neurocientistas e pessoas que sofreram psicoses, assim trazendo uma experiência diferente ao seu gameplay.

O jogo se passa no fim do Século 8, quando uma guerreira celta (Senua) parte em uma jornada até o inferno viking para salvar a alma de seu amado (Dillion), confrontando a deusa Hela. Na jornada, você tem a companhia de vozes (dentro da cabeça de Senua) e da Escuridão. Também encontra com outras pessoas, como um escravo morto dos noruegueses (Druth).

Toda a temática do jogo envolve a mitologia nórdica, contando estórias de Odin, Ragnarok, Loki, etc… Além disso, o game é cheio de revelações sobre o passado de Senua, onde você descobre os motivos por trás de seus traumas, medos e auto estima.

Enfrentando um dos adversários

Som

Começando pelo som do jogo, as músicas são bem executadas e combinadas com as fases e passagens executadas no game, por exemplo, em um dos primeiros desafios antes de chegar na floresta da ilusão, começa a tocar uma música com uma pegada de ação, e logo você entra em uma batalha.

Muitas das vezes a música prepara o jogador para algum elemento do game, assim como quando você irá enfrentar os desafios da Hela e começa a tocar uma música de inspiração, incentivando as batalhas finais.

Cenários lindos com luzes e sombras

Outro ponto a se ressaltar do som, são os efeitos sonoros, o jogo apresenta inúmeros diálogos, e vozes que falam com a Senua, direto ouvi coisas como “você é burra”, “desista”, “iremos morrer” e isso afeta também a forma como você joga ou a sua atenção no game. Por exemplo, nas cenas de luta, você ouve as vozes falando “atrás de você”, rapidamente você consegue apertar o botão da esquiva.

O jogo incentiva você a usar fones, pois assim as vozes parecerão que realmente estão na sua cabeça rs… Eu tentei, mas joguei bem pouco com fones, apenas para sentir a imersão criada pelo jogo.

Senua de perto, muitos detalhes

O jogo inteiro está em Inglês, porém com legendas em português, apenas em alguns diálogos que não é apresentado a legenda, mas nada que impacte no entendimento da história.

Gráfico

A parte visual do game é extremamente caprichada, sendo que os ambientes são lindos, mesmo os mais escuros são caprichados e detalhados, como por exemplo, em uma parte que você passa por Hellheim, uma área com um lago de sangue onde várias pessoas estão sofrendo, você vê mãos tentando puxar Senua, pessoas se contorcendo ao fundo, efeitos de luzes, etc.

Além dos gráficos dos cenários, os personagens são bem compostos, como Senua, que visivelmente você nota detalhes como o rastafári que ela usa junto com algumas pedras (ou bijuterias rs), inimigos conforme você enfrenta eles, vão aparecendo marcas de corte e espada, sombras de inimigos, etc.

Acessando um dos pontos para ver a estória do Ragnarok

O jogo também conta com alguns efeitos gráficos, que dão uma certa impressão de alucinógenos rs… como luzes que invertem, fogos replicados, olhos que te observam (floresta da ilusão), e também cenas de alucinações quando Senua conversa com outros personagens ou até com ela mesmo.

Inclusive em alguns momentos do game, a 4ª parede é quebrada, e a história do game é interagida com o jogador.

Animação de Senua sendo perturbada e gritando Shut Up (Cale Se) para as vozes que a perseguem

Controles

Os controles do game são:
Analógico Esquerdo – Controlar personagem
Analógico Direito – Mudar Câmera (Andando) / Mudar Adversário que está focado (Batalha)
A – Interagir (Andando) / Esquivar (Batalha)
X – Golpe de Espada Fraco (Batalha)
Y – Golpe de Espada Forte (Batalha)
RB – Defesa (Batalha)
LB – Correr (Andando / Batalha)
RT – Utilizar o foco (Andando) / Foco na Batalha (Batalha)

O jogo tem dois tipos de jogabilidade, uma Andando e outra Batalhando. O modo andando é bem tranquilo, sendo que a visão da personagem é um pouco acima do ombro, e ela é um pouco lenta, nada que incomode, mas no começo do game, até engrenar o jogo, pode causar uma certa estranheza.

Andando o foco do jogo é resolver enigmas, como paredes invisíveis que ao passar por um portal se tornam visíveis, reconstruir partes do cenário olhando por outros pontos do mapa e ao ver algumas passagens bloqueadas com runas, encontrar os símbolos das runas no ambiente, por exemplo, uma runa com a letra X, você deve procurar onde no ambiente (seja sombra, árvores, casa, objetos, etc) formam a letra X.

Uma coisa que também me chamou a atenção, foi que ao virar a câmera para tentar ver o rosto de Senua, ela nunca olha diretamente e sempre desvia o olhar, mostrando sinais claros de medo ao ser encarada.

Belos cenários Nórdicos

Agora na parte de Combates, a cada ataque, defesa e esquiva bem sucedida você vai enchendo uma “barra de especial” que é um amuleto, e quando o símbolo dela cresce na tela, você consegue usar o Foco na Batalha, sendo que o tempo para e você consegue soltar golpes mais fortes e mais rapidamente nos adversários.

O combate, eu achei ruim, infelizmente demora para pegar o jeito (como as manhas de sair correndo e dar uma espada, ou se esquivar e já dar uma espada nos inimigos de escudo), além do que, eu sou fã de jogos do estilo Hack’n Slash, onde o combate é mais frenético, esse como é mais lento, e vários inimigos te atacam, morri diversas vezes, e cheguei até a ter dores nas mãos de tanto apertar os botões rs.

Falando em números de mortes, quando você morre a primeira vez, é falado a Senua que ela não pode morrer muito, senão você voltaria ao início da jornada, e com isso nasce uma mancha negra nas mãos dela, que a cada vez que você morre, essa mancha aumenta. No total morri cerca de 15 vezes, entre combates (maioria) e armadilhas, e a mancha chegou até ao ombro dela.

A esquerda Senua, a direita Melina Juergens

Diversão

Assim como dito no tópico anterior, eu não gostei das batalhas, achei o combate frustrante, e ficava extremamente aliviado ao passar por uma parte de batalha. Muitas das vezes aparecem vários e vários inimigos um atrás do outro, e isso vai cansando.

Porém, o jogo ele consegue te prender de uma forma extraordinária, a sua narrativa é condensada e imersiva, e toda a trama faz você sentir vários sentimentos como agonia, medo, pavor, dó e compaixão. No jogo eu tive a sensação do quanto o ser humano é frágil, e o quanto as variáveis em um ambiente (no caso a infância de Senua) podem influenciar no reflexo que ela se tornou e no que ela sente. Além disso a interpretação da atriz como a Senua, o ambiente e a música e efeitos sonoros, causam um realismo e uma profundidade única.

Uma coisa interessante no jogo, são alguns objetos com runas, que ao ser utilizado o foco neles, o narrador conta partes da história da mitologia nórdica, que envolvem e acabam no Ragnarok (uma das poucas mitologias que o mal vence o bem no fim).

Logo no começo, paisagens assombrosas

Algo que pode agradar alguns jogadores mas outros nem tanto, é o fato do game não deixar explícito o que deve ser feito, muitas das vezes fazendo o jogador pensar e ir atrás das coisas, diferente de muitos games atualmente que mostram detalhes no mapa ou luzes no cenário indicando o caminho (a única exceção é nos enigmas de runas, onde ao chegar perto de uma, várias delas começam a flutuar ao seu redor).

Eu zerei o jogo na dificuldade normal, como ele não computou as horas no Xbox One, não sei quanto tempo gastei exatamente, demorei cerca de 1 semana, jogando um pouco por dia na hora do almoço, acho que foi algo em torno de 6 a 8 horas. Acessando o How Long To Beat, lá está que a média para se zerar o game é de 7 horas.

Uma coisa a se ressaltar também no game, é que o fator replay é praticamente inexistente, após eu zerar o jogo, não tive vontade nenhuma de zerar novamente ou buscar todas as runas.

Outras informações

A Ninja Theory apostou tudo no game, sendo que seria sua última cartada, se Hellblade não fizesse sucesso, talvez o estúdio até fosse fechado. Inclusive uma decisão que o estúdio tomou, foi de ele mesmo publicar o game, economizando gastos com Publishers.

Outro detalhe interessante do game (que eu ouvi dizer), é que a atriz que trabalhou como Senua, a Melina Juergens, nunca atuou na vida (e olha que as expressões do game são excelentes), ela é fotógrafa e editora de vídeos.

Procurando Runas na paisagem

Preço

Na PSN, o jogo está R$ 68,92, Clique Aqui para saber mais.

Na Steam, o jogo está R$ 55,99, Clique Aqui para saber mais.

Na Xbox Live, o jogo está R$ 59,00, Clique Aqui para saber mais.

Passando por Hellheim

Considerações Finais

Hellblade: Senua’s Sacrifice é um ótimo game com uma narrativa ímpar, que faz você refletir e pensar sobre a fragilidade humana, uma experiência realmente única. Porém, infelizmente possui alguns controles e ritmo de game complicados de se adaptar no começo da jornada.

Outro ponto é que apesar da experiência fantástica, o jogo não tem um fator replay elevado, assim provavelmente ao zerar o game você não irá jogá-lo mais.

Abaixo um vídeo de gameplay do nosso canal, se possível se inscreva lá e dê um joinha no vídeo para nos ajudar XD.


Bom pessoal, por hoje é só.
Abraços e até a próxima.

About Daniel Atilio

Analista e desenvolvedor de sistemas. Técnico em Informática pelo CTI da Unesp. Graduado em Banco de Dados pela Fatec Bauru. Entusiasta de soluções Open Source e blogueiro nas horas vagas. Autor do projeto Terminal de Informação, onde são postados tutoriais e notícias envolvendo o mundo da tecnologia.

Daniel Atilio

Analista e desenvolvedor de sistemas. Técnico em Informática pelo CTI da Unesp. Graduado em Banco de Dados pela Fatec Bauru. Entusiasta de soluções Open Source e blogueiro nas horas vagas. Autor do projeto Terminal de Informação, onde são postados tutoriais e notícias envolvendo o mundo da tecnologia.