Por qual motivo, os jogos em 3D do Sonic são mal vistos?

Salve salve pessoal…

Os games em 3D do Sonic são realmente ruins? Onde que começou esse dilema, e por qual motivo ele acompanha o ouriço até os dias de hoje?

O Sonic surgiu no Mega Drive para competir diretamente com o Mario na Nintendo, então o ouriço tinha que ser tudo o que o bigodudo não era, assim ele nasce com o pressuposto de ser rápido, radical, e jogo devia conter esses elementos. Mas eis que surge uma divergência cultural, SEGA da América (SOA) e SEGA do Japão (SOJ), as duas não entravam em muitos acordos sobre o Sonic, assim sendo, na Ásia o ouriço tinha uma história, um contexto, e até mesmo inimigos e outros personagens com nomes diferentes (por exemplo, Eggman no Japão, e Robotnick nos States), enquanto na América ele tinha um outro contexto, isso por um tempo causou certa confusão para os fãs de Sonic.

Esboços do Sonic

Então no Mega Drive, o Sonic fez um enorme sucesso, mostrando qual era a imagem da SEGA, e como o personagem era mais “descolado” que o Mario, e assim sendo o jogo foi ganhando continuações, e eis que chega a nova geração, a SEGA lança o Sega Saturn.

A SEGA por ter lançado o Sega CD e o Sega 32X para o Mega Drive, acaba por ter sua imagem arranhada, já que cada apetrecho era caro, e não garantiria suporte, já que o Mega tava previsto para ser “morto” em 1994, sendo que em 1995 e 1996 saíram poucos jogos, e a maioria de estúdios terceiros.

Ristar, um dos últimos games para Mega Drive, produzido pela Sonic Team

Então, todos já olhavam meio estranhos para o Saturn, e para piorar, o preço era maior que o principal concorrente (Playstation da Sony), e a biblioteca de jogos era menor, logo todos estavam esperando a SEGA trazer um game do ouriço para o console, o projeto Sonic X Treme, que seria similar ao jogo Bug!, onde existiam modelagens pré renderizadas (como em Donkey Kong Country), mas a fase e o ambiente de movimentação, seriam um pseudo 3D.

A Sonic Team, estava preocupada com o lançamento de NiGHTS em 1996, logo eles não podiam ajudar a equipe que estava desenvolvendo o game do Sonic, até há boatos que eles não quiseram disponibilizar seu motor gráfico para outra equipe da SEGA. Com o estresse, pressão, e muitos funcionários passando mal no ambiente que estava sendo criado, o jogo acaba sendo cancelado, e o Saturn não receberia um game original do Sonic.

Revista com imagens do preview do Sonic XTreme

O Saturn até teve uma versão do Sonic 3D Blast que foi lançado para Mega Drive, mas não era game em 3D, mas sim um pseudo 3D com gráficos pré renderizados.

A Sonic Team, sabendo que a SEGA planejava um novo console, parte para uma viagem ao mundo (inclusive visitando pirâmides e outros lugares da América do Sul), para produzirem um projeto ambicioso, o Sonic Adventure. Além do jogo contar com uma narrativa aprofundada, ele seria responsável por unificar de uma vez por todas, as histórias do ouriço, assim como os nomes e diferenças americanas e japonesas.

O jogo foi lançado em 1999, ele contava com 6 campanhas de 6 personagens diferentes, sendo que no fim, você abria uma missão com o Super Sonic, sendo que a história do jogo era tão boa, que ganhou até o desenho animado Sonic X baseado nela. O jogo era excelente, principalmente as fases do Sonic, mas havia muitas “quebras” de ritmo do jogo, como por exemplo, elementos de RPG no mundo aberto de Sonic, e fases que não tinham muito adrenalina, como as fases de pescaria do Big The Cat (sim, você tinha que pescar em um jogo onde correr era um dos requisitos da jogabilidade).

Sonic Adventure para Dreamcast

Mesmo com alguns pontos negativos, Sonic Adventure foi um sucesso, logo a SEGA estaria planejando e executando uma continuação para o game, assim em 2001 é lançado o Sonic Adventure 2. O jogo em si, tirava os elementos de RPG, e existiam 3 tipos de fase, as fases de correr (Sonic / Shadow), as de exploração (Knuckles / Rouge) e as de ação (Tails / Robotnick), e era interessante ver as narrativas e como cada equipe se interligava.

Mas se o astro do game é o Sonic, por qual motivo criaram outro ouriço? Então jovens, a SEGA vendo que o Sonic já estava perdendo “espaço” no mundo gamer, decide criar um rival para ele, que fosse ainda mais “radical” e sombrio, para chamar a atenção da galera mais jovem, e assim nasce o personagem Shadow.

Propaganda da TecToy para Sonic Adventure 2, destaque para Shadow?

Ambos os jogos em 3D do Sonic foram bem elogiados e fizeram sucesso no Dreamcast, mas logo o mundo começou a olhar para outro projeto da SEGA, o Sonic Heroes, que seria o primeiro game do ouriço totalmente multiplataforma (Xbox, GameCube e Playstation 2), o jogo foi lançado em 2003, e até foi um game legal. O jogo era composto por equipes formadas por 3 personagens (como Sonic, Tails e Knuckles), sendo que cada membro da equipe tinha um poder diferente, e você precisava mesclar eles para dar andamento em certas partes do jogo.

Vocês começaram a perceber que a SEGA ao lançar games do Sonic, conforme foi passando o tempo, foram adicionando personagens nas histórias, e o Sonic passava a sensação de ser menos “relevante”, pois bem, todos os fãs se perguntavam isso, enquanto jogos do Mario, era nítido os coadjuvantes (como Luigi), nos games do ouriço, ele estava perdendo o posto de “personagem principal” para dar espaço a outros personagens, tanto em jogabilidade, quanto no enredo em si. Foi nesse ponto que os games em 3D começaram a ser olhados de outra forma.

Sonic Heroes

Para ajudar, em 2005, a SEGA lança um game solo do Shadow The Hedgehog, convenhamos que era um jogo divertido, porém, o rival do Sonic ganhou um game só dele, e que era focado em velocidade, enquanto o ouriço mesmo, estava ficando de escanteio de suas obras.

A SEGA então decide voltar as origens, e começa um novo enredo, o game Sonic The Hedgehog, que foi lançado em 2006, e adivinhem pessoal? Teriam mais personagens rs… um deles, outro ouriço que controlaria o espaço/tempo, o Silver The Hedgehog. O jogo tinha uma ideia boa, um enredo bom, mas a execução, foi um completo desastre, o jogo foi lançado com muitos bugs, repetição, e tudo que o Sonic Adventure tinha de bom, parece que nesse pioraram em todos os sentidos.

Sonic 2006, ah que saudades ¬¬

Dava para perceber, que o jogo foi lançado às pressas para cumprir um calendário, então além dos erros, bugs, o jogo ter trechos irritantes e sem sentido, ainda tinha muitas coisas na história que ficaram sem sentido e estranhas, como por exemplo, o Sonic ter de ser revivido por um beijo de uma humana!

Logo os fãs percebiam que Sonic já não era mais o mesmo, e parecia que a SEGA não estava sabendo o que fazer com o personagem, e olha que estava tudo nas mãos da SOJ, não tinha mais a “briga” entre SOA e SOJ. Logo, começa-se um novo projeto do Sonic, Sonic Unsleashed, que foi lançado em 2008. O game em si, ainda apostava em elementos de RPG (poxa, ai não né SEGA =/), mas o motor gráfico criado era excelente, as fases do Sonic eram divertidíssimas, era tudo muito rápido, existiam ainda alguns bugs, mas em comparação ao Sonic 2006, parecia que estava tudo perfeito.

Sonic Unsleashed, olha que gráfico lindo

A parte que criticaram foi a criação de um Sonic lobisomem, que deixava o jogo no estilo de jogos Hack’n Slash, com a rapidez de lado e um foco maior na ação. Eu até achei divertido, mas para um game de Sonic, pareceu novamente que o protagonismo que a SEGA queria devolver ao herói, parecia que não estava sendo executado de maneira ideal.

Sonic tomou um Whey e quis dar uma de God Of War rs

A SEGA começa a querer reinventar o Sonic novamente, e planeja assim o lançamento de Sonic 4 (lançado em 2010, com uma continuação em 2012), que apesar de ser em 3D, tinha a mecânica e jogabilidade em 2D. Os jogos apesar de serem divertidos, estavam longe de trazer aquela qualidade já vista, e o primeiro game, mostrava sinais de lentidão no Sonic que sempre foi muito rápido.

Sonic 4

Eis que a redenção da SEGA, vem com Sonic Generations, lançado em 2011, o jogo tinha uma história, em que se juntava o Sonic do Mega Drive com o Sonic da era 3D (a partir do Dreamcast), ou seja, eles eram de universos paralelos, e estariam juntos para vencer o Robotnick. Foi o primeiro game do Sonic em anos, que focava no Sonic! Além de ser o primeiro, em que a velocidade era sim o ponto forte do game, isso trouxe elogios e finalmente parece que a Sonic Team aprendeu a ouvir o que os fãs tanto pediam, Sonic e velocidade.

Sonic Generations, uma homenagem digna ao ouriço

Em 2017, é lançado o último game em 3D do ouriço, Sonic Forces, que apesar de ser bem divertido, também não teve tanta atenção da mídia (principalmente em comparação ao Sonic Mania), eu achei o game divertido (e até mesmo injustiçado pela crítica). Mas eu não tive aquela sensação do Generations, achei um ótimo game, mas parece que a SEGA tentou copiar demais a fórmula, as fases com o personagem criado são divertidas, mas as com o Sonic são bem mais legais. Além do que, colocaram o Sonic (famoso soniquinho) do universo paralelo acho que apenas para causar essa nostalgia nos fãs.

Olhem esse gráfico do Sonic Forces, tudo in game

Então jovens, por causa de alguns detalhes, como a adição de vários personagens aos games, elevar o status do Shadow, o fiasco do Sonic 2006 além de outras coisas citadas nesse artigo, os jogos em 3D do Sonic foram criticados, e o ouriço azul estava perdendo sua relevância, sendo que os jogos mais atuais são divertidos e tentam buscar aquela sensação de adrenalina, agora basta só o tempo dizer, se Sonic irá se recuperar dessa “imagem” arranhada que foi gerada.

Obs.: Não citei no artigo, os jogos para consoles portáteis, e citei apenas os multiplataformas, por exemplo, não citei os games exclusivos para Wii e Wii U (Sonic And The Secret Ring, Sonic and the Black Knight, Sonic Colors, Sonic Boom e Sonic Lost World).

Referências:
epicplay.com.br
andrearitsu.com

Bom pessoal, por hoje é só.
Abraços e até a próxima.

About Daniel Atilio

Analista e desenvolvedor de sistemas. Técnico em Informática pelo CTI da Unesp. Graduado em Banco de Dados pela Fatec Bauru. Entusiasta de soluções Open Source e blogueiro nas horas vagas. Autor do projeto Terminal de Informação, onde são postados tutoriais e notícias envolvendo o mundo da tecnologia.

Daniel Atilio

Analista e desenvolvedor de sistemas. Técnico em Informática pelo CTI da Unesp. Graduado em Banco de Dados pela Fatec Bauru. Entusiasta de soluções Open Source e blogueiro nas horas vagas. Autor do projeto Terminal de Informação, onde são postados tutoriais e notícias envolvendo o mundo da tecnologia.