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Entrevista com Roberto Carnicelli (o Baby Betinho da SGP)

Tivemos o prazer de conversar com uma das lendas do jornalismo gamer, Roberto, ou mais conhecido como Baby Betinho (Super Game Power).


Pessoal, desde que comecei a me envolver com blogs lá em meados de 2009, o jornalismo gamer sempre me chamava a atenção, e uma das minhas inspirações, era a figura do Baby Betinho da saudosa revista Super Game Power (SGP).

Além de falar de games de luta, que são o meu xodó até hoje (risos), gostava da forma de expressão nos textos, e nas riquezas de detalhes.

Pois bem, por trás do Baby Betinho, o redator responsável, era o Roberto Carnicelli, que gentilmente se disponibilizou a conversar conosco e contar um pouco dos tempos da SGP.


Primeira aparição do personagem em Julho de 1992 na revista Game Power

Olá Roberto, primeiramente é um prazer ter você aqui no Aperta o X, sou um grande fã do seu trabalho. Você poderia nos contar como começou a jogar vídeo games?

Olá Pessoal do Aperta o X!
Antes de mais nada, fico feliz com a possibilidade de participar desse papo e mais ainda do Baby Betinho ainda ser lembrado com carinho por todos vocês.
É importante dizer que o mentor do Baby Betinho foi o Matthew Shirts, que era o nosso famoso editor chefe e que também era o personagem do Chefe da Revista. Eu Roberto Carnicelli fui meramente uma fonte de inspiração na criação do personagem. Naquela época eu usava jeans, camiseta branca e jaqueta de couro e isso foi usado pelos ilustradores na caracterização do personagem.
Eu nunca tive os olhos azuis e nem era careca na época (essa descaracterização foi uma imposição do departamento Jurídico da editora Nova Cultural com o objetivo de proteger a empresa, caso algum dia eu viesse a requerer direitos sobre o personagem)
Vamos à resposta.
Eu comecei a Jogar vídeo game na casa de um amigo italiano. O pai dele era engenheiro eletrônico e na tentativa de incentivar o filho a seguir seu caminho ele sempre o presenteava com brinquedos eletrônicos.
Esse foi apenas o começo. Na verdade, estamos falando de 1980, e o que existia de vídeo game era basicamente o que se chamava de Telejogo. Naquela época os consoles nacionais vinham com no máximo 3 jogos (Tênis, Paredão e Futebol em preto e branco e com gráficos feitos de traços grossos e sem nenhum detalhe mais atrativo) mesmo assim era o máximo.
Nesta mesma época no parque de diversões PlayCenter havia uma área coberta com os primeiros arcades. Naquela época os Jogos eram um misto de mecânicos e eletrônicos (digo isso porque a pista da corrida era um Telejogo mas o carro era de plástico e mudava de direção mecanicamente).
Nem preciso dizer que esses arcades eram o desejo de toda criança e foi seguindo essa tendência que os telejogos foram lançados do mercado e se transformaram nos vídeo games que conhecemos hoje.

Que história Roberto, lembro de sempre acompanhar a SGP e ficar imaginando quem estava por trás dos personagens (risos). Como você virou redator de games? Começou já na Super Game Power?

Naquela época eu tinha uns 18 anos e tinha decidido que não queria mais estudar. Saí da escola e fui trabalhar como vendedor numa loja de moda no shopping Iguatemi de SP. Como sempre gostei de Vídeo Games comprei um Master System da Tectoy e ficava a manhã toda jogando até a hora de ir para o trabalho.
Como eu era nerd e jogava muitas horas, eu escrevia todas estratégias dos jogos num caderno. Naquela época a Tectoy disponibilizava um serviço de dicas de jogos por telefone (Hotline) eu ligava para lá e pedia as dicas que eu já tinha só para saber se eles eram realmente bons, mas eles não eram. Na maioria das vezes eles não tinham dicas das fases mais avançadas, e é aí que eu dizia: Eu tenho! Você quer anotar? (risos)
Com isso, acabei ficando conhecido lá na Hotline, já haviam até pedido o meu número de telefone. Depois desse dia foi um passo para ser chamado para uma entrevista numa revista exclusiva de games da SEGA que havia sido encomendada pela Tectoy à editora Nova Cultural.
Essa revista se chamava Supergame. É importante dizer que naquela época não havia representantes comerciais oficiais da Nintendo no Brasil, mas logo que o mercado começou a dividir atenções entre SEGA e Nintendo, a Nova Cultural lançou a Revista GamePower. A Revista Super Game Power era a fusão da duas anteriores e foi foco de um estudo de pesquisa de mercado que demonstrava que o importante passava a ser o jogo e não mais o console justificando comercialmente uma publicação totalmente multiplataforma.

Última aparição antes da Super Game Power (Fevereiro de 1994)

Olha só hein Roberto, você ensinava os meninos da Hotline (risos). E como era o ambiente da redação? Pois muitas crianças na época sonhavam em jogar games e trabalhar nas famosas revistas (risos).

O ambiente era maravilhoso! Era basicamente um escritório do Google muito antes do Google pensar em existir. Era a redação mais legal da editora. Lembro que a Editora Nova Cultural era uma Editora basicamente de fascículos e entre uma redação de fascículos e uma redação de revistas de games existiam vários contrastes a começar pela faixa etária dos seus integrantes.
Na nossa redação todos focavam na criatividade, quebrar paradigmas parecia ser a meta de cada dia. No começo eu trabalhava sozinho. Era responsável por apresentar novos jogos, novas dicas, novas tendências, jogar e ganhar e escrever as dicas sobre todos os jogos apresentados e ficar horas na sala de jogos com os fotógrafos para reportar as matérias. Embora tudo isso fosse muito prazeroso era muita responsabilidade para uma pessoa só e como jogador eu nunca fui lá assim um Baby Betinho.
Com o desenvolvimento do mercado e das revistas a nossa sala de jogos ficou somente para fotografia e fomos desenvolvendo fornecedores de dicas e de material para a revista.
Street Fighter III foi um divisor de águas não só para mim como para a revista. Levei mais ou menos 10 minutos para ficar totalmente viciado naquilo. Eu fugia da redação para ir ao fliperama jogar. Mas o que ninguém, nem eu sabia é que esse seria o jogo com o maior incentivo social da história dos vídeogames. Jogando Street III fiz muitos amigos (e muitos inimigos também), lembro que uma vez num fliperama do centro de SP um oponente chegou a desligar a máquina da tomada depois de perder para mim a 10ª e última ficha que ele tinha no bolso. Foi jogando Street Fighter III numa locadora dos Jardins que conheci o Fabio Pancheri (falecido no ano passado ) e foi ele quem me apresentou o Akira (conhecido por assinar as matérias do personagem Akira e Agora na revista). Logo, logo essa turma toda foi trabalhar na redação e estava formado o Dream Team.

Eu soube do Pancheri, foi realmente uma pena para o jornalismo gamer. Mas falando em Dream Team, a equipe da SGP mantém contato até hoje? (marcar aquela velha churrascada – risos)

Infelizmente não. Conseguimos juntar alguns nas redes sociais, mas os tempos são outros e o que nos uniu naquela época dificilmente encontra valor fora das nossas memórias.

Baby já na época do Dreamcast (Outubro de 1999), nessa época Roberto não estava mais na redação

Entendo. Assim como dito anteriormente, o personagem Baby Betinho foi inspirado em você, e uma das características do personagem é que ele gostava de jogos de luta, você também gosta desse gênero?

Sim, o personagem foi inspirado em mim, mas não participei de muita coisa a não ser com meu simples consentimento.
Os jogos de luta em si não são os meus preferidos, mas Street Fighter III sempre o será. Esse jogo traz grandes ensinamentos de vida para quem realmente se dedica a ele.

Além dele, você interpretava algum outro personagem na revista (como Lord Mathias, Bill Games, etc)?

Se entendi sua pergunta num determinado momento da revista não havia mais interpretação de personagens. O tipo de jogo determinava qual o seria personagem a assinar a matéria e qualquer um da redação poderia escrever em seu nome.

Em que ano você saiu da redação?

Saí em 1994, já estava no último ano da minha faculdade de Marketing (sim eu não parei de estudar). Naquela época eu já era Publisher de Revistas no Marketing da Editora e quase não tinha mais contato com o dia-a-dia da redação que eu tanto amava.

Você joga games ainda atualmente? Se sim, tem algum favorito (ou favoritos) dos últimos tempos?

Atualmente não jogo mais. Depois do Street Fighter joguei muito Rock Band (toco guitarra nas horas vagas), mas depois o máximo de contato que tive com um vídeogame foi para jogar algo que me fizesse perder peso com ajuda do Kinect. (risos)
Sinceramente se eu pudesse voltar atrás, fora a história maravilhosa que tive neste mercado, eu jamais me dedicaria tanto tempo a ficar jogando.

Última aparição do personagem em Março de 2006, já em outra editora, Roberto já não redigia mais textos como o personagem

Eu entendo, antes de começar na academia eu jogava toda manhã o Your Shape Fitness Evolved (risos). Hoje você trabalha em que área? Quer contar um pouco para nossos leitores?

Profissionalmente eu acabei me apaixonando por propaganda e foi nessa área que fiz minha vida. Sai do Marketing da Editora Abril para trabalhar no iG e de lá acabei virando publicitário. Gosto muito do mercado financeiro e sempre balanceio o meu tempo entre a propaganda e o mercado financeiro.
Atualmente eu tenho uma start-up com conteúdo estruturado por Inteligência artificial com foco em vendas que se chama V3ND1NH4.

Roberto, muito obrigado pela entrevista, sou um enorme fã do seu trabalho, e foi uma honra conversar com você. Você quer deixar alguma mensagem para nossos leitores, ou para aspirantes a redatores?

Gostaria sim,
Gostaria de agradecer todo esse carinho e dizer que sempre que posso estou a disposição para falar sobre games.
A minha mensagem para os aspirantes a redatores é que em primeiro lugar amem muito fazer o que se propuseram a fazer e em segundo lugar que entendam melhor do que qualquer outro e sob várias óticas diferentes a matéria que será redigida. Só assim é possível encantar sua audiência.


O desenho que ficou marcado na cabeça de muitos jogadores da década de 90 (imagem da revista de Setembro de 1996)

Caso queiram conhecer um pouco mais sobre a V3ND1NH4, o site oficial é vendinha.biz.

E você, o que achou da entrevista com o lendário Baby Betinho? Deixe nos comentários.

Abraços pessoal, até a próxima.

About Daniel Atilio

Analista e desenvolvedor de sistemas. Técnico em Informática pelo CTI da Unesp. Graduado em Banco de Dados pela Fatec Bauru. Entusiasta de soluções Open Source e blogueiro nas horas vagas.

Daniel Atilio

Analista e desenvolvedor de sistemas. Técnico em Informática pelo CTI da Unesp. Graduado em Banco de Dados pela Fatec Bauru. Entusiasta de soluções Open Source e blogueiro nas horas vagas.

6 comentários em “Entrevista com Roberto Carnicelli (o Baby Betinho da SGP)

  • 19 de março de 2019 em 13:35
    Permalink

    Matéria extremamente bacana e muito bem redigida…Um dos grandes ícones daquela época gamer…Parabéns pelo trabalho !!

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    • 19 de março de 2019 em 13:45
      Permalink

      Obrigado pelo feedback Max.
      Se tiver sugestões ou críticas, pode entrar em contato.
      Um grande abraço.

      Resposta
  • 20 de março de 2019 em 17:04
    Permalink

    Bateu uma forte nostalgia aqui, saudades dessa época.
    Muito legal a entrevista, parabéns!

    Resposta
  • 23 de março de 2019 em 11:47
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    Bom dia, li a materia e gostei bastante, meus parabens!!! Eu era aficionado na epoca por games, colecionava revistas do genero, e uma revista que existia na epoca era a revista Videogame ( desde o numero 01 ja era multiplataforma). Caso seja possivel fazer uma materia com esta revista, tb seria muito legal!!!

    Resposta
    • 23 de março de 2019 em 12:38
      Permalink

      Bom dia Silvio, obrigado pelo feedback. Opa vamos tentar sim, se inscreva nas nossas redes sociais e fique ligado nas novidades. Um grande abraço.

      Resposta

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