Entrevista com Alysson da CleanWaterSoft

Trago para vocês hoje, um bate papo com um desenvolvedor indie, Alysson L. Neto.

Muitas das vezes, desfrutamos de games, e nem ao menos paramos para pensar, sobre as pessoas que estão por trás dos projetos.

Se em equipes já é difícil o desenvolvimento, já imaginaram trabalhar sozinho e tentar ganhar a vida com esse mercado? Pois bem, a conversa de hoje é com Alysson L. Neto, desenvolvedor brasileiro da CleanWaterSoft (de games como Porradaria e Fantasya Final).

Foto exclusiva pro Aperta o X, Alysson desenvolvendo o Porradaria 3

Inclusive no próprio site, existe uma série de artigos contando a trajetória dele, e se você quer ser um desenvolvedor, vale muito a pena ler, confira em Minha História como Indie Dev Profissional.


Aperta o X: Olá Alysson, primeiramente obrigado por aceitar a entrevista aqui no Aperta o X. Você poderia contar um pouco sobre você para nossos leitores?

Alysson: Bom, sou Alysson L. Neto, também conhecido como CleanWater (daí vem o nome da desenvolvedora). Nasci em Belo Horizonte – MG. Trabalho profissionalmente como desenvolvedor independente de jogos desde 2013. Desde criança que sempre fui apaixonado por jogos eletrônicos, mas devido a minha condição financeira, nunca tive acesso fácil aos mesmos. Por causa disso, quando comecei a trabalhar na área decidi que iria me dedicar a desenvolver jogos acessíveis para todo mundo. No meu tempo livre procuro sempre estudar coisas novas, observar constelações, ler livros, tutoriais, matérias, etc. Também gosto de ler mangás, assistir animes, e claro, jogar videogames.

Aperta o X: E quando surgiu o interesse na produção de games?

Alysson: Na época da minha adolescência, quando eu tinha um Playstation One. Eu gostava muito de jogar RPGs como Breath of Fire III, Chrono Cross e Final Fantasy. Eu frequentava a banca de revista perto de casa também e foi em uma revista que conheci um programa chamado RPG Maker. Fiquei louco com a possibilidade de criar meu próprio RPG, mas não tinha um PC ainda. Só fui ter a oportunidade de usar esse programa (e alguns outros) para produzir jogos bem mais tarde.

Um pouco sobre o Alysson em sua página no site da CleanWaterSoft

Aperta o X: Nesse começo, qual foi a sua maior dificuldade?

Alysson: A minha dificuldade sempre foi financeira. Não basta ter um computador e saber fazer um jogo. Volta e meia você precisa ter a licença para um software novo, adquirir peças novas para o PC, adquirir certos equipamentos, pagar taxas, impostos, tributos, tarifas, etc. Mesmo coisas aparentemente triviais, como dar suporte a controles USB, eventualmente saem caro. Você vai precisar não só de um controle, mas de, pelo menos, um de cada modelo mais usado no mercado que você atua, pra ter certeza que tudo vai funcionar corretamente. O retorno pra esse trabalho todo é muito pouco e você ainda tem que competir com a pirataria, que já pega o trabalho duro todo pronto e sem ter que pagar nada pra redistribuir e ter lucro.

Aperta o X: Sabemos que a franquia Porradaria se tornou famosa entre algumas pessoas, quais foram as inspirações para desenvolvê-la?

Alysson: Sempre gostei muito de jogos retrô de plataforma 2D. Na minha infância, quando lançaram o Playstation One, ganhei de minha mãe o famoso Polystation (aquele mesmo, da tampa de CD que dava de cara pra entrada de cartucho). Eu jogava Super Mario World todo dia. Sabia cada segredo daquele jogo. Depois, quando ganhei o Playstation One (na época que o 2 já havia sido lançado), continuei gostando desse gênero. Jogava muito Castlevania, Klonoa, Megaman X e outros. A série Porradaria surgiu como uma “homenagem paródica” desse gênero. Cada jogo representa um subgênero do estilo plataforma 2D. Porradaria Upgrade faz referência aos jogos clássicos, que tinham fases lineares e itens coletáveis. Porradaria 2: Pagode of the Night, acho que esse dispensa explicações. Porradaria 3: O Sonho Acabou seria a homenagem final a uma certa série que foi inovadora no gênero e é também a minha favorita.

Imagem do game Fantasya Final, com aquele bom humor nos diálogos

Aperta o X: Além de RPG e de Ação e Aventura, existe algum outro gênero que você queira desenvolver? Se sim, qual, pode nos contar algo para ficarmos ansiosos (risos)?

Alysson: Tenho um sim. Infelizmente esse é um projeto impossível pra mim pois eu precisaria ser “zilionário” para conseguir. Hahaha…

Eu tenho umas ideias para um VRMMORPG, ao estilo do jogo apresentado no anime Sword Art Online (mas sem a parte de morrer de verdade). Esse jogo também permitiria o RMT (Real Money Trading) livremente entre jogadores e a economia do jogo se mesclaria com a economia do mundo real. Se algum jogador quisesse se dedicar a produzir itens no jogo (um ferreiro fazendo armas ou um alquimista fazendo poções por exemplo) ele poderia enriquecer na vida real com isso, mas esse jogador teria que fazer isso na marra, pois eu usaria algum sistema biométrico pra evitar os malditos bots lazarentos.

Aperta o X: Alysson, sabemos que a Steam mudou, e isso afetou desenvolvedores indie, você pode nos contar um pouco sobre sua decisão de sair da plataforma?

Alysson: Minha decisão de sair da Steam foi por motivos de força maior. Infelizmente não posso entrar em mais detalhes.

Aperta o X: Quanto aos games e novas produções, pretende lançar em outras lojas como Epic Store, venda própria como PayPal ou até mesmo em consoles?

Alysson: O maior problema das lojas disponíveis atualmente, tanto para PCs como consoles, é que a maioria delas são administradas por norte-americanos e esperam produtos voltados a atender o gosto e necessidades dos mesmos. Você percebe isso mesmo em jogos de desenvolvedoras AAA de outros países. Um bom exemplo são as versões originais de alguns jogos japoneses que são completamente diferentes das versões norte-americanas. Mesmo o jogo sendo “adaptado ao gosto e a cultura deles”, a receptividade por lá acaba sendo muitas vezes bem pior que no país de origem. Quando fui aprovado pela Microsoft pra desenvolver para Xbox One, eles não deixaram que o Porradaria Upgrade Gold Edition fosse lançado apenas no Brasil. Também consegui licença da Sony para desenvolver para Playstation 3/4/Vita, mas a mesma situação se repetiu. Se isso mudar e eles passarem a dar mais autonomia aos desenvolvedores para seguir nosso “tino comercial”, talvez eu pense a respeito.

Aperta o X: E o que podemos esperar da CleanWaterSoft para o futuro próximo?

Alysson: Por enquanto a CleanWaterSoft entrou em hiato por tempo indeterminado. Não sei quando, como, ou mesmo se, voltarei a desenvolver e distribuir jogos. Também não sei dizer nem onde ou como farei isso. Por hora, estou focado apenas em terminar de contar “Minha História Como Indie Dev Profissional” no meu blog e aprender algumas tecnologias novas.

Aperta o X: Alysson, mais uma vez muito obrigado. Quer deixar algum recado aos nossos leitores, ou a futuros desenvolvedores de games?

Alysson: Primeiro eu gostaria de agradecer a vocês pela entrevista e também aos leitores que leram até aqui. Para quem quer seguir carreira no desenvolvimento de jogos, vou recomendar meu blog. Além de postar “Minha História Como Indie Dev Profissional”, contando várias coisas dos bastidores desse universo, também estou dando dicas sobre como vender jogos, etc. Ainda pretendo divulgar alguns gráficos com o número exato de vendas na Steam por lá também.

Caso eu volte a trabalhar com jogos algum dia, claro, vou anunciar isso por lá.

Mais uma vez obrigado e um grande abraço pra todos vocês!

O site da CleanWaterSoft é cleanwatersoft.com.br.


E você, o que achou da entrevista? Deixe nos comentários.


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Abraços pessoal, até a próxima.

About Daniel Atilio

Analista de sistemas e blogueiro nas horas vagas. Pode ser encontrado jogando Tetris por ai.

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